Jaqueline Maria Pereira de Carvalho

Iniciou sua carreira no time do Sport Club do Recife. Jogava vôlei e basquete, paralelamente, até o momento em que sua mãe pediu pra que ela escolhesse um dos dois, pois estava difícil conduzir os estudos jogando ambos ao mesmo tempo. Jaqueline optou pelo vôlei e não se arrependeu. Se destacou no clube e olheiros vindos de São Paulo a chamaram para jogar num clube da cidade, o na época, BCN/Osasco. Jaqueline passou facilmente por uma peneira e logo estava na categoria adulta do clube. Em 2001, aos 17 anos, foi convocada pra seleção Juvenil e fora eleita a melhor jogadora do Campeonato Mundial de Vôlei Juvenil daquele ano. A jovem jogadora foi apontada por diversos técnicos e pessoas envolvidas no meio do vôlei como grande promessa do esporte no Brasil, o que lhe rendeu a convocação pra seleção adulta, no mesmo ano de 2001. No auge de sua ascensão, no início de 2002, Jaqueline teve uma contratura no joelho, que acabou por deixar a pernambucana numa mesa de cirurgia para tratar a contusão. Ficou por volta de seis meses sem jogar, recuperando-se. Depois desse período, voltou a treinar e no 2º dia após sua volta, torceu novamente o mesmo joelho e mais uma vez foi submetida à uma cirurgia. Jaqueline também teve complicações com a circulação sanguínea de sua mão, o que a afastou mais ainda das quadras, deixando-a, inclusive, de fora do Campeonato Mundial de Vôlei Adulto de 2002, disputado no fim daquele ano.
No fim de 2004, já recuperada, porém sem ritmo de jogo, Jaqueline transferiu-se para um clube no Rio de Janeiro, o Rexona/ades. Depois de uma temporada jogando no clube, a ponteira, que por falta de ritmo estava no banco de reservas, terminou na titularidade do time e conseguiu sua convocação pra seleção brasileira em abril de 2005. Um de seus melhores momentos foi no Grand Prix de Voleibol de 2005, quando foi apontada como estrela da seleção de José Roberto Guimarães, se tornando a jogadora mais completa do time. No ano de 2006, Jaqueline conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial de Vôlei, sendo eleita pela crítica, a melhor brasileira do campeonato. Atualmente, joga na equipe do Scavollini Pesaro, da Itália.
Em julho de 2007, às vésperas dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, Jaqueline, titular da seleção brasileira, foi pega no exame anti-doping. A acusação, porém, tinha origem de um exame feito durante as finais dos campeonato italiano, no mês anterior. Jaqueline foi suspensa preventivamente, durante 60 dias. Nesse período houve audiências para se esclarecer o fato, e a atleta usou como defesa o fato de ter tomado um chá para celulite, que tinha a substância sibutramina, no caso, proibida para atletas. Embora a substância não ajude no desempenho da jogadora, ela pode mascarar outros componentes que podem alterar esse desempenho. Na primeira decisão do julgamento, foi dada uma punição de 9 meses para Jaqueline, o que significava a ausência da atleta em grande parte das competições de 2008 e a volta às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Em 18 de setembro de 2007, após ser investigado tudo que a atleta utilizava, Jaqueline mudou sua defesa sobre o caso. O argumento foi que o produto que tinha como componente a sibutramina era o CLA, remédio que a atleta tomava com receita médica para queimar gordura (o chá, usando como argumento inicial, era realmente natural). Em junho (mesmo mês em que a atleta fez o exame que acusou o doping), o Comitê Olímpico Brasileiro foi informado sobre a suspensão das atividades da empresa Integralmédica S/A, fabricante do CLA, por contaminação de produtos pela substância. Como Jaqueline estava na Itália e não recebeu a informação, continuou a utilizar o remédio. Com isso, foi feita uma nova avaliação sobre a pena a ser aplicada e houve uma redução de 9 para 3 meses, e como Jaqueline já estava suspensa desde julho (a suspensão prévia contou como punição oficial), foi liberada para jogar.
Jaqueline voltou à seleção no ano de 2008 e participou da conquista do Grand Prix, e da inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que consagrou essa geração do vôlei feminino como a segunda equipe na história a conseguir vencer todos os jogos na fase de classificação por 3 sets a zero (a primeira foi a equipe japonesa). Na semifinal, a equipe encarou as campeãs Olímpicas de 2004, as chinesas, e com 2 aces seguidos de Jaqueline o Brasil venceu por 3x0 e chegou à sua primeira final de Olimpíada. Na disputa pela medalha de ouro, o Brasil levou a melhor e venceu a equipe norte-americana, terminando a competição sem disputar nenhum tie-break, perdendo apenas um set, exatamente na final.
Jaqueline tem como principal característica de jogo o seu fundo de quadra, ou seja, recepção e defesa. Na seleção e também no clube onde joga, a pernambucana é a principal jogadora nesses fundamentos.
Nos jogos da seleção, a pernambucana é a mais focada pelas lentes japonesas e a mais solicitada pela torcida nipônica. A alegria com que joga e a personalidade absolutamente emotiva é o que alimenta esse posto de jogadora mais carismática do grupo brasileiro atual. É esposa do também jogador da seleção masculina de vôlei Murilo Endres, medalha de prata com a seleção masculina nos jogos de Pequim.